Feira Livre de Seabra: o percurso de produtos e de pessoas.

Por Bores Júnior*

  As feiras livres são momentos importantes no cotidiano de uma cidade, pois auxiliam na geração de renda, contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar. Segundo o Mapeamento de Segurança Alimentar e Nutricional (MapaSAN) de 2022, no Brasil, o número total de feiras livres é de 5.059.

  Caminhões, caixotes, frutas, legumes e produtos da região chegam na madrugada de sábado, garantindo que, ao amanhecer, a feira livre no bairro Mercadão, em Seabra – Ba, esteja abastecida com uma grande variedade de alimentos e itens.

   Antes da chegada dos clientes, cada produto ganha um lugar especial na barraca. A arrumação por aqui começa cedo, e quem gosta de chegar à feira no início da manhã tem a oportunidade de ver os feirantes organizando cada item.

  Com mãos que também plantam, colhem, arrumam e entregam, os feirantes oferecem ao cliente não apenas alimentos ricos em vitaminas, mas produtos cultivados com carinho e dedicação.

  É na feira, entre cores vibrantes e conversas sobre frutas, legumes e cortes habilidosos com facas, que o cliente chega. Ele escolhe o que deseja levar, mas às vezes não conhece o valor simbólico do produto que está levando para casa.

  Com 15 anos de feira, a feirante Maria Railda Novais sai todos os sábados, de sua casa localizada na comunidade Mocambo da Cachoeira, na zona rural de Seabra, ainda de madrugada, para levar os produtos que serão vendidos e que lhe garantem renda para auxiliar no sustento do lar. Ela participa ativamente da vida financeira de sua família. Segundo a pesquisa do Serasa de 2025, cerca de 93% das mulheres contribuem financeiramente em seus lares, Novais cuida e nutre o bem está de todos.

  Na correria da feira, entre alimentos pesados nas balanças e produtos empacotados, escolhidos a dedo, que se gera uma importante fonte de renda para as comunidades locais.

  A finalização da compra é um gesto de confiança entre as pessoas envolvidas. É o sorriso no rosto do feirante pela venda e a realização do cliente de possuir o produto.

  E tudo é levado embora, na sacola Boca Piu. Mas não é um fim, é um início, um vínculo ancestral. Tudo que vai nela é fortalecido, protegido e nutrido por cada traçada feita com a palha. E, independentemente dos caminhos que trilhar, ela sempre estará pronta para a próxima feira, para ser o sustento e a força das populações que permeiam Seabra e a região da Chapada Diamantina.

*Aluno curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra