Idealizado pelo professor Gildeci Leite, o projeto da UNEB resgata a pluralidade da cultura baiana através da literatura e promove a integração entre pesquisa, extensão e comunidade.

Por Gabriela Medeiros*

  O projeto de extensão “Baianidades: Literatura, Identidade, Memória e História”, coordenado pelo professor Gildeci Leite, nasceu do desejo de refletir sobre a Bahia em suas múltiplas dimensões culturais, sociais e históricas, tendo a literatura como ponto de partida para a compreensão das identidades que compõem o estado. A iniciativa, que já realizou 12 eventos ao longo de suas edições, vem consolidando-se como um espaço de diálogo entre a universidade e a sociedade.

A origem da ideia

  Segundo o professor Gildeci Leite, a ideia do projeto surgiu da necessidade de discutir o que significa ser baiano e de ampliar o entendimento da “baianidade” para além dos estereótipos. “As pessoas têm mania de acreditar que quando a gente fala em baianidade, estamos tratando apenas das questões do litoral. Na verdade, a Bahia é muito mais extensa e plural do que isso”, explica.
  Desde sua criação, o projeto promoveu encontros marcantes, como as duas edições do evento internacional de literatura e identidade, realizados em 2011, em Seabra, e 2015, em Salvador, reunindo mais de 2 mil pessoas e participações de pesquisadores e escritores de renome, como André Luis Boa Morte, além de conferências, lançamentos literários e apresentações culturais.

Literatura como espelho da memória e da história

  Para o professor, a literatura é um dos instrumentos mais potentes para a reconstrução do mundo e da memória coletiva. “Na literatura, há aspectos intrínsecos da memória de quem escreve e da memória sobre o outro. Dentro dela, estão reservados espaços que se conectam diretamente à história e à experiência
social”, afirma.
  Ele cita obras como Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, como exemplo de narrativa que denuncia a opressão ao povo negro nas primeiras décadas do século XX e que pode ser comparada, segundo ele, a registros jornalísticos da mesma época. “Essa relação entre literatura, história, identidade e memória é muito comum. Toda escrita é sobre algo, inspirada em algo ou em alguém. A literatura é sempre uma forma de preservar e reinterpretar o que fomos e o que somos”, completa.

O nome e o símbolo da “Baianidade”

   O nome do projeto não foi escolhido por acaso. “Baianidades”, no plural, reflete o compromisso em reconhecer a diversidade de vozes, sotaques e expressões que formam o mosaico cultural da Bahia. “Prefiro falar em ‘Baianidades’, porque não existe uma só forma de ser baiano. Eu gosto dessas possibilidades, dessas identidades múltiplas. Embora confesso prefira a baianidade com azeite de dendê”, brinca o professor, fazendo alusão a uma das apresentações culturais marcantes do projeto.

Extensão, pesquisa e diálogo social

  Além de sua vertente extensionista, o projeto também abriga ações de pesquisa e produção de conteúdos. Um dos resultados mais recentes é o portal https://www.encicloba.com.br/, espaço digital que reúne textos, entrevistas, materiais didáticos e produções desenvolvidas pelos participantes. O projeto também publica um jornal impresso, que divulga reflexões e registros das atividades realizadas. “Nosso propósito é que a universidade dialogue com a sociedade. A extensão é isso: devolver à comunidade o conhecimento que ela ajuda a construir”, destaca Gildeci.
  O projeto “Baianidades: Literatura, Identidade, Memória e História” segue reafirmando o papel da universidade como espaço de preservação da cultura e da memória coletiva. Entre palavras, histórias e afetos, a iniciativa de Gildeci Leite mostra que compreender a Bahia é também um exercício de reconhecer suas muitas vozes diversas, poéticas e profundamente vivas.

*Discente do curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora Dayanne Pereira.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra