Núcleo de Acessibilidade e Inclusão do Campus XXIII realiza visita técnica à Associação de Deficientes Visuais de Irecê e Região e ao Campus XVI da UNEB em Irecê.
Por Eloísa Carmo*
Fortalecer ações voltadas à inclusão e acessibilidade no ensino superior, este é um dos objetivos do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) do Campus XXIII da UNEB-Seabra, que no dia 4 de julho, realizou uma visita ao município de Irecê/BA. A atividade aconteceu nos turnos matutino e vespertino e contou com duas paradas importantes: na Associação de Deficientes Visuais de Irecê e Região (ADEVIR) e no NAI do Campus XVI da UNEB.
O intuito da visita foi estabelecer parcerias com a ADEVIR para a construção de um curso de orientação e mobilidade, destinado a discentes com deficiência visual do Campus XXIII e também aos monitores apoiadores que atuam junto a esses estudantes. Além disso, o momento se tornou uma oportunidade para trocas de experiências com a equipe do NAI de Irecê, incluindo coordenação e monitores, com vistas à elaboração de projetos coletivos entre os dois campi.
Para a coordenadora do NAI de Seabra, Ronilda Rodrigues, a atividade representa um passo crucial no fortalecimento da rede de apoio e acessibilidade dentro da Universidade. “Essa atividade é extremamente importante para o nosso campus, pois além de dar visibilidade às ações do NAI do Campus XXIII/Seabra, estamos desempenhando nosso papel enquanto cidadãos conscientes de que a inclusão deve acontecer sempre e de forma efetiva”, destacou.
Ao refletir sobre os aprendizados da visita, Rodrigues reforça que a troca entre os núcleos evidenciou que “fazer inclusão não consiste em uma tarefa fácil, mas é possível se todos nós estivermos envolvidos em ações que promovam inclusão.”
Dessa articulação surgiram iniciativas interessantes. Na ADEVIR, novas propostas foram definidas, entre elas a participação dos discentes com deficiência visual, acompanhados por seus monitores apoiadores, em um curso de escrita manuscrita, acordado junto ao presidente da associação. A coordenadora Ronilda explicou que a proposta pretende garantir a dignidade dessas pessoas, permitindo que possam assinar seus próprios nomes e não sejam mais vistas pela sociedade como não alfabetizadas. Além disso, também está previsto o início de um curso de orientação e mobilidade.
A parceria com o NAI do Campus XVI também já começa a render frutos. Segundo Rodrigues, há a possibilidade de realização de um evento conjunto no segundo semestre de 2025, voltado à temática da acessibilidade.
No entanto, ainda existem desafios a serem superados para então ter a efetivação das ações. “Estamos vendo a questão das condições dos discentes e monitores apoiadores, bem como a logística, uma vez que o curso será ministrado na ADEVIR e não no Campus XXIII, como desejávamos. Marcaremos uma reunião para definirmos”, afirmou a coordenadora.
Outro ponto de atenção é a formação dos monitores. Para Rodrigues, é fundamental que os apoiadores estejam preparados para lidar com os estudantes com deficiência visual. “Existe uma necessidade latente de que os monitores sejam capacitados para lidar com os discentes deficientes, pois o objetivo do NAI é que estes tenham autonomia e, com o tempo, possam resolver suas demandas sozinhos”, completou.
Entre os primeiros passos para garantir a acessibilidade e inclusão dos estudantes em sala de aula e no ambiente acadêmico está a estruturação do próprio núcleo. “A instituição do NAI é nova em nosso Campus. Ainda estamos lidando com muitos desafios para mantê-lo ativo. No entanto, pretendemos estruturá-lo melhor com sala, equipamentos para uso dos discentes e construção de um cronograma de ações permanentes, bem como continuar buscando parcerias junto aos órgãos públicos de Seabra e outros municípios da região da Chapada”, detalhou.
As dificuldades estruturais, aliás, são o maior entrave atualmente. “No momento, o principal desafio é de ordem estrutural. Não temos sala específica do NAI para atendimento aos discentes, tampouco materiais de apoio. O campus tem uma topografia irregular, o que dificulta a mobilidade dos discentes. Contamos apenas com o trabalho e dedicação de todas as pessoas envolvidas com o NAI, mais especificamente da diretora do nosso campus, a professora Fátima Sudré, que não tem medido esforços para nos atender prontamente”, reconheceu.
Sobre o que ainda precisa mudar na Universidade para que a inclusão seja plena e efetiva, Ronilda é direta. “Precisa que a legislação saia do papel e se efetive na prática. Que os professores e monitores apoiadores tenham o mínimo de formação para lidar com as deficiências e transtornos que nossos discentes apresentam.”
Mesmo em meio aos desafios, ela acredita no potencial transformador das ações do NAI. “Como dito anteriormente, nosso núcleo é novo, portanto, as mudanças ainda não são perceptíveis, mas acredito em uma transformação processual. Entendo que o NAI do Campus XXIII está no caminho certo.”
E é essa transformação que ela observa acontecendo aos poucos dentro da própria comunidade acadêmica. A mudança ocorre justamente quando a Universidade inclui os discentes com deficiência de forma efetiva. Segundo ela, é possível perceber como as pessoas do campus estão cada vez mais atentas e dispostas a acolher esses estudantes. Professores têm procurado o NAI com o objetivo de compreender como podem adaptar suas práticas pedagógicas, garantindo que os discentes com deficiência tenham reais possibilidades de aprendizagem, alcançando os mesmos objetivos que os demais colegas. Para a coordenadora, esse movimento coletivo é o que realmente faz a diferença na transformação do ambiente universitário.
A discente Junia Patricia Souza, monitora e apoiadora no NAI, compartilhou sua vivência e destacou a importância do trabalho desenvolvido pelo núcleo. “Trabalhar como monitora do NAI é enriquecedor em experiência e humanidade. É um aprendizado para muito além da Universidade, é para a vida. É aprender uma nova forma de se relacionar com o mundo. É aquele tipo de desafio que te impulsiona a evoluir.”
Ela relata que a experiência é marcante do ponto de vista humano. “É um alento para a alma saber que estou ajudando efetivamente uma pessoa a realizar um projeto tão grandioso quanto uma graduação. Mas também saber que faço parte de um projeto maior, que envolve muitas pessoas, uma equipe tão competente e comprometida.”
Júnia resume bem o impacto positivo da atuação no núcleo ao comparar o trabalho com a inclusão de pessoas com deficiência a aprender um novo idioma e adentrar um universo diferente, uma experiência que transforma o olhar sobre o mundo. Para ela, apesar de ser um desafio que exige esforço e pode ser cansativo, justamente por isso, torna-se ainda mais valioso.
A chegada de Amaral Jesus de Souza, estudante deficiente visual, à residência estudantil foi marcada pelo acolhimento e apoio do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, bem como pela solidariedade dos residentes. Segundo Amaral, desde o início, a professora Ronilda se mostrou atenciosa e solícita, mantendo contato para acompanhar suas necessidades e garantir que sua adaptação ocorresse da melhor forma possível. Além do acompanhamento institucional, ele também recebeu apoio dos colegas, que contribuíram para sua integração e ofereceram ajuda em diferentes momentos do dia a dia. “Desde o começo, a professora Ronilda sempre esteve presente, perguntando como eu estava, se precisava de algo, acompanhando minha vivência na casa e meu deslocamento. E os colegas da residência também me acolheram muito bem, sempre prontos a ajudar. Esse apoio fez toda a diferença na minha chegada”, destaca Souza.
*Discente curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.