Presente em diferentes espaços da cidade, a feira segue promovendo sustentabilidade e integração comunitária, com o acompanhamento de um projeto de extensão universitária.
Por Lucas Assunção*
A Feira Agroecológica da Chapada Diamantina se consolidou como um importante espaço de convivência, troca de saberes e valorização da agricultura familiar na região. Realizada semanalmente em diferentes locais de Seabra, como a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a Praça da Bandeira e o Instituto Federal da Bahia (IFBA), a feira aproxima produtores, estudantes e comunidade em torno da alimentação saudável, da economia solidária e do consumo responsável.
O curso de Jornalismo da UNEB participa da iniciativa por meio do projeto de extensão “Feira Agroecológica: Comunicação e Sustentabilidade”, coordenado pela professora Juliana Almeida. O projeto dá continuidade a uma proposta iniciada ainda na universidade, sob a coordenação da professora Gislene Moreira, e segue fortalecendo a presença da UNEB nesse espaço de integração entre saberes locais e formação acadêmica.
Segundo a professora Juliana Almeida, a transformação da feira em um projeto de extensão foi uma forma de manter viva uma iniciativa que nasceu dentro da UNEB e que precisava de apoio na área de comunicação. “A Feira Agroecológica nasceu na UNEB, como um projeto inicialmente coordenado pela professora Gislene Moreira, do nosso curso de Jornalismo. Com o afastamento dela para o doutorado, a atual coordenação da feira entrou em contato conosco, já que havia uma demanda muito grande na área de comunicação. Como a feira já era uma iniciativa da UNEB, achamos justo dar continuidade a esse trabalho e criamos o projeto de extensão justamente para que os alunos pudessem participar ativamente e também contabilizar horas para atividades complementares”, afirma Almeida.




Feira Agroecológica da Chapada Diamantina. Fotos Lucas Assunção.
O projeto conta com um bolsista e com o envolvimento de estudantes voluntários, que acompanham a feira, registram o cotidiano dos feirantes e produzem conteúdos para as redes e canais institucionais. Além da cobertura e divulgação, a equipe planeja novas ações formativas para os participantes. “Nesse momento, o curso de Jornalismo tem atuado especialmente na comunicação da feira, realizando a divulgação das edições e o gerenciamento do Instagram. Mas já estamos com o planejamento de ofertar um curso de marketing e gestão de redes sociais para os feirantes, além de uma formação em fotografia, para que eles possam registrar melhor seus produtos e ampliar sua presença digital”, explica Almeida.
A coordenadora destaca ainda que o projeto reforça o papel da extensão universitária na promoção da sustentabilidade e na valorização das comunidades tradicionais da Chapada Diamantina. “É muito difícil pensar em um projeto de extensão aqui sem trabalhar com sustentabilidade, com comunidades tradicionais e com pessoas que precisam da nossa comunicação. Esse tipo de trabalho tem trazido uma consciência crítica muito importante para os alunos, além de ampliar o repertório cultural deles de forma significativa”, revela Almeida.
Entre os feirantes, o envolvimento da universidade é percebido como um apoio essencial. Gilka Milena, artesã e participante da feira desde a primeira edição, em 2020, destaca que o espaço é mais do que um ponto de venda, é um território de trocas, afeto e resistência. “A feira agroecológica tem um significado muito especial para mim. Além de ser um espaço de comercialização, é um local de trocas e aprendizagens no que diz respeito à agroecologia, fortalecimento da economia local e permite visibilidade dos trabalhos artesanais. Participar da feira é reafirmar o compromisso com o fazer artesanal consciente, com o consumo responsável e com a valorização das mulheres trabalhadoras. É um espaço de afeto, resistência e pertencimento”, ressalta Milena.
A artesã também reconhece o papel do projeto de extensão na manutenção da feira. “A construção de cards para divulgação e o apoio na logística são fundamentais para que a feira continue acontecendo. Nós, feirantes, amamos o contato com os estudantes, especialmente aqueles curiosos para saber sobre nossos produtos”, lembra Milena.
Entre o público que frequenta a feira, a percepção é igualmente positiva. Para Vanusia Bocaina, visitante assídua, o evento é um ponto de encontro que valoriza os saberes populares. “Gosto da diversidade de produtos e de encontrar pessoas de vários lugares do território. É importante porque divulga, valoriza, fortalece e incentiva a produção local. Acho interessante a presença dos universitários, porque nessa feira também há uma troca mútua entre o conhecimento acadêmico e os saberes populares.”
Com o apoio da UNEB, a Feira Agroecológica da Chapada Diamantina segue firme como um espaço de resistência, sustentabilidade e partilha, reafirmando o papel da universidade pública na promoção de ações que integram ensino, pesquisa e extensão.




Feira Agroecológica da Chapada Diamantina. Fotos Lucas Assunção.
*Aluno do curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora Dayanne Pereira.