Realizada de 24 a 26 de julho, a segunda edição da Feira Literária e Gastronômica de Piatã reuniu escritores, artistas, estudantes e a comunidade em três dias de celebração cultural na Chapada Diamantina.

Por Lucas Assunção* e Regiane Oliveira**

  A segunda edição da Feira Literária e Gastronômica de Piatã (FELIGA) foi realizada entre os dias 24 e 26 de julho, no município de Piatã, Chapada Diamantina. O evento mostrou que já conquistou espaço no calendário cultural e educacional da região. Entre barracas, lançamentos, apresentações culturais e debates, a cidade respirou literatura, música, arte e gastronomia durante os dias de programação. Mais do que um encontro literário e gastronômico, a FELIGA se consolidou como um espaço de conexão entre cultura, economia criativa e formação educacional.

Auditório lotado durante as atividades da FELIGA 2025, em Piatã. Foto: Maria Eugênia

Cultura, identidade e desenvolvimento

  Para o organizador e coordenador geral, Ildimar França, a FELIGA é “uma plataforma de visibilidade aos atores da Chapada Diamantina”. Ele explica que o evento conecta múltiplas linguagens: identidade territorial, economia criativa, educação e gastronomia, especialmente o café.

“Muitas pessoas desejando participação na FELIGA nos mostraram indicadores importantes: protagonismo da população e qualidade das produções. Observar as representatividades em cada gesto e ação foi algo que nos motivou a enfrentar desafios e já pensar na próxima edição. Vida longa à FELIGA!”, afirmou.

A escola como protagonista

   O professor André Lula Maciel, diretor do Colégio Estadual Coronel Horácio de Mattos, destacou o envolvimento da instituição, que deixou de ser apenas espaço físico para se tornar parte ativa do evento.

  “Envolvemos toda a unidade de ensino, professores, funcionários e alunos. Alguns ex-alunos, como a Itiele Novais e a Taína Araújo, que começaram conosco, foram convidados pela própria FELIGA. Isso mostra o quanto a feira resgata tradições e valoriza nossos artistas e nossa identidade chapadeira”, disse.

Professor André Lula, diretor do Colégio Estadual Coronel Horácio de Mattos, durante participação na feira. Foto: Maria Eugênia

A voz dos artistas locais

   O músico Batman Magalhães celebrou a abertura de espaço para diferentes expressões culturais. “Pude mostrar meu trabalho na minha cidade, me sentir valorizado e feliz. Não podemos viver só de São João e festas tradicionais. A feira desonera muita gente, permitindo que continuem na arte sem precisar abandoná-la para sobreviver.”

 Sobre o impacto econômico, Magalhães ressaltou que “alguns expositores venderam algumas peças, e ainda saíram com encomendas para dois meses de trabalho. O dinheiro que circula volta para a própria cidade.”

Juventude atuante

   A estudante Maria Heloysa Rosa Santos Costa, monitora do evento, contou que a experiência ampliou seus aprendizados e responsabilidade. “Vi o brilho no olhar de muitas pessoas ao receber um livro. Foi corrido, mas gratificante. Levo ótimas memórias, aprendizado e ainda mais valor pelo que eu sou e de onde vim”, destaca.

   Na FELIGUINHA, espaço voltado ao público infantil, a estudante Ana Lívia Galvão, também monitora, viveu momentos especiais. “Era lindo ver as crianças curiosas, curtindo as atrações e conversando. Se eu fosse resumir a FELIGA em uma palavra, seria aprendizado”, afirma.

   Já a jovem Maria Clara Marques, que também integrou a equipe de monitores, ressaltou os bastidores do trabalho. “O que mais me marcou foi o contato com pessoas diferentes e a experiência de trabalhar em equipe. Aprendi a valorizar cada detalhe que faz um evento dessa dimensão acontecer”, relata.

Monitoras voluntárias garantiram acolhimento e dinamismo na FELIGA. Foto: Maria Eugênia

A estudante Samara Silva, que se apresentou durante a feira, reforçou o papel transformador do evento. “Aprendi muito sobre a gastronomia do café e cultura. A FELIGA fortalece nossa identidade, valoriza nossos talentos e cria pontes entre gerações e comunidades vizinhas”, conta Silva.

Apresentação cultural das estudantes durante a FELIGA 2025: juventude em cena. Foto: Maria Eugênia

Narrativas e encontros

  O escritor e filósofo Emerson Matos conduziu a oficina Brasil Profundo, voltada à escrita criativa. Para ele, a FELIGA cumpre um papel essencial. “As feiras literárias organizam narrativas e permitem que as pessoas se reconheçam. O encontro é uma das maiores revoluções que a gente pode ter nos dias de hoje. Foi isso que vi na FELIGA: estudantes, professores, artistas e gestores reunidos em torno da construção de narrativas”, reforça Matos.

Olhar pedagógico e cultural

  O professor Iverton Nascimento destacou o simbolismo da feira ocorrer em uma escola. “Foi pensado para o estudante, e isso aproxima ainda mais os jovens. Além da literatura e do café, a feira abriu espaço para artes, expressões populares e discussões sobre preservação e superação de preconceitos.”

 A parceria de toda a equipe para a realização do evento, foi um aspecto de destaque para o sucesso da FELIGA. “O maior destaque foi a união. Pessoas de diferentes classes sociais e espectros políticos deram as mãos para valorizar o evento. O segundo foi a comoção: ver as pessoas se emocionando com apresentações e com a doação de livros. Essa magia só a arte é capaz de proporcionar”, afirma Nascimento.

  A professora Regiane Rodrigues também reforçou a dimensão coletiva do evento. “A FELIGA não foi obra de um ou de poucos, mas resultado das mãos e corações de muitos. Foi emocionante acompanhar o nascimento das ideias e vê-las ganharem forma”.

FELIGUINHA: o espaço das crianças

  Realizada no Instituto Nossa Piatã, a FELIGUINHA foi dedicada ao público infantil. Para Noélia Cardoso dos Anjos Costa, Presidente da Instituição, o desafio foi grande, mas gratificante. “Cada detalhe pensado e realizado valeu a pena. Ao ver a casa cheia de crianças ávidas pelas novidades, foi simplesmente prazeroso. Agradecemos a todos os artistas, escritores e parceiros que tornaram esse momento possível.”

Uma experiência coletiva

   Seja no entusiasmo dos estudantes, na mobilização da comunidade ou na entrega dos monitores, a FELIGA se consolidou como uma feira feita a muitas mãos. Entre livros, cafés, apresentações culturais, filmes, histórias e afetos, Piatã reafirmou sua vocação cultural e educativa, transformando a Chapada Diamantina em palco de encontros que ecoam muito além dos três dias de evento.

*Discente curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.

** Professora, advogada e moradora da comunidade de Piatã.

 

 

 

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra