A escolha da Chapada Diamantina como território para a realização do curso não foi aleatória. A região carrega uma longa história de expropriação e violência associadas à mineração e, mais recentemente, tem vivenciado o avanço de novos empreendimentos minerais e energéticos, que colocam em risco os modos de vida das comunidades locais.

Por Érica Araújo

  O Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) realizou, nos dias 24 e 25 de janeiro, em Seabra, o Curso de Formação Socioeconômica e Projeto Popular, reunindo estudantes de Jornalismo e agentes culturais popular do território.  

  A atividade aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Seabra e se consolidou enquanto uma ação importante de formação, construção de diálogo e organização popular, voltado para o fortalecimento da luta em defesa da soberania popular na mineração.

  Ao longo dos dois dias de curso, os participantes debateram acerca dos modelos de produção socioeconômica que estruturam a sociedade brasileira, com atenção aos impactos da mineração dentro dos territórios.  O encontro também destacou a importância da formação de base como ferramenta estratégica ao enfrentamento do modelo mineral marcado por práticas predatórias, concentração de riqueza e violação de direitos das comunidades.

  A escolha da Chapada Diamantina como território para a realização do curso não foi aleatória. A região carrega uma longa história de expropriação e violência associadas à mineração e, mais recentemente, tem vivenciado o avanço de novos empreendimentos minerais e energéticos, que colocam em risco os modos de vida das comunidades locais.

  Fabiano Paixão, militante e facilitador do curso, destaca que a mineração no Brasil, ela está presente desde o período colonial, e desde deste período ela sempre vem produzindo conflitos com os povos que vivem dentro dos territórios explorados. Para ele, apesar das lutas e resistências construídas ao longo dos anos, nunca houve uma política pensada e estruturada capaz de garantir os direitos dessas populações. O MAM surge, em 2012, justamente a partir dessas contradições do modelo mineral brasileiro. Nosso papel é organizar, educar e contribuir para a construção de um novo modelo de mineração, que respeite os direitos das comunidades e rompa com a lógica de atendimento ao capital internacional”, explica Paixão.

Fotos Taciere Santana e Mariele Souza.

  Na Bahia, estado ao qual ocupa posição de destaque no cenário nacional da mineração, os impactos são ainda mais evidentes. De acordo com Paixão, grande parte das mineradoras que atuam no estado, a maioria está sob controle do capital estrangeiro, reforçando ainda mais o modelo que retira os recursos de forma bruta, gera poucos benefícios locais, ampliando ainda mais as desigualdades sociais e ambientais.

  Durante o curso, também foi debatida a importância de compreender a formação histórica do Brasil — marcada pela invasão colonial, pela escravização de povos indígenas e da população negra e pela negação sistemática de direitos — como elemento central para a leitura crítica dos conflitos atuais. Para Fabiano, esse processo formativo é essencial para que as comunidades possam tomar decisões conscientes sobre seus territórios e fortalecer suas estratégias de luta.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra