Com dois dias de programação, o forró é tradição na UNEB de Seabra e é realizado pela equipe administrativa do Campus em parceria com a prefeitura de Seabra.
Por Poliana Fraga, Daniela Souza e Hayley Paixão*
Teve início nesta quarta-feira (27), no Campus XXIII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em Seabra, o tradicional forró da UNEB que tem parceria com a prefeitura de Seabra. O evento, que celebra os festejos de São João, representa uma importante tradição regional e fortalecimento da comunidade acadêmica.
Com dois dias de duração e atividades nos turnos vespertino e noturno, a programação completa foi divulgada nas redes sociais da universidade, fazendo um convite tanto para o público interno quanto para a comunidade externa.
A abertura do evento ocorreu de forma simultânea: o Arraiá da Brinquedoteca do BrincArt do Campus XXIII na sala 08, a exibição do documentário “Garimpando” aconteceu na sala 07, Cinema Itinerante na sala 05 e a Mostra de Fotografia “Quebrando o Silêncio, Guardando a Tradição” no palco.
O BrincArt promoveu brincadeiras pedagógicas voltadas para crianças, com participações dos adultos. Thamires Jesus, do secretariado administrativo do colegiado de pedagogia e responsável pelo BrincArt no forró da UNEB, ressaltou o impacto da ação. “O foco é o desenvolvimento das crianças, fazendo com que elas se identifiquem com o espaço acadêmico por meio das brincadeiras. Além disso, é uma iniciativa importante para toda a comunidade porque é uma tradição.”
Algumas brincadeiras que ocorreram durante o BrincArt. Fotos: Mariele Souza
O projeto de extensão Cinema Itinerante para a Comunidade, coordenado pela professora Raphaela Oliveira, do curso de Letras Língua Inglesa, marcou presença com os acadêmicos do curso Gabriel Felipe Araújo (7º semestre) e Ednéia Reis (5º semestre). Os bolsistas do projeto foram responsáveis por conduzir as exibições no evento e debate após a exibição, que incluiu o curta-metragem Maluum e a série Ciranda do Brincar.
Ao ser questionada sobre a importância de levar o cinema às comunidades e sobre a vivência com esse público, Reis destacou a troca de experiências. “É conhecer pessoas novas, as vivências delas, partilhar as experiências, ter uma visão sobre a realidade daquela comunidade. As formas como eles reagem quando estão se vendo, se identificando com o que está passando… A gente sai com o coração aquecido, somos bem recebidos.”
Para ambos, a participação no Forró da UNEB proporcionou uma dinâmica diferente daquela que costumam vivenciar nas comunidades, Araújo destaca que “a comunidade valoriza mais. Para eles é um evento em que eles se reúnem, eles mandam mensagem, eles perguntam, conversam com a gente. […] Já no Forró da UNEB, teve mais liberdade de conversar com eles (acadêmicos) e trocar ideias. Com a comunidade, eles veem mais a gente como um “detentor”, que rege aquele processo. […] Aqui foi mais olho no olho, conversando tranquilamente, uma conversa mais como amigos.”
Gabriel Felipe Araújo e Ednéia Reis em entrevista com os discentes do curso de Jornalismo. Fotos: Mariele Souza
A programação contou ainda com a exibição do documentário “Garimpando”, conduzida por Elvis Soares, coordenador de informática, agente de contratação da instituição e um dos integrantes da produção. A obra resgata a história do garimpo e o início do município de Palmeiras, através da realidade da Chapada Diamantina, principalmente das Lavras. O projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, contando com a participação de moradores locais para registrar a identidade da região.
Após a exibição, foi realizado um debate que buscou tentar entender a semelhança entre a narrativa audiovisual do documentário e as obras literárias exigidas no vestibular da UNEB. A discussão articulou a realidade histórica do garimpo com produções contemporâneas de grande relevância, como Torto Arado que será homenageado no Carnaval do Rio de Janeiro e outras obras que abordam a Chapada Diamantina.
Soares ressaltou a importância de o evento acadêmico abrir espaço para essas discussões. “O Forró da UNEB é justamente para isso, trazer essa realidade local. Em outras edições, nós homenageamos muitas pessoas da região e falamos um pouco sobre algumas temáticas nordestinas. E o São João tem tudo a ver com isso. A universidade é laica, a gente faz o Forró da UNEB como a parte cultural.”
No palco, a Mostra de Fotografia “Quebrando o Silêncio, Guardando a Tradição” homenageou o trabalho feminino rural, da Rede Guardiãs da Chapada Diamantina. Através de registros visuais, a exposição buscou romper o silêncio histórico que recai sobre o trabalho feminino e valorizar as tradições que moldam a identidade de um povo. Como destaca o próprio banner da mostra, “cada coco quebrado é também uma memória preservada, uma história contada com as mãos, e um grito de afirmação: estamos aqui”.
Mostra fotográfica “Quebrando o Silêncio, Guardando a Tradição” no palco da UNEB. Foto: Daniela Souza
A apresentação da “quadrilha da UATI” aconteceu no espaço externo da UNEB em Seabra e é formada por pessoas que possuem 60 anos ou mais, conduzida através do programa “Universidade Aberta à Terceira Idade”, onde foi organizada pela professora Joice do Instituto Federal da Bahia. Durante a apresentação, havia pessoas com vestimentas tradicionais da época, penteados maravilhosos, camisetas quadriculadas e aquela música boa para o povo festejar. “Participo da UATI há uma semana e estou adorando fazer parte da oficina e muito contente por está participando da quadrilha, pois projetos como este traz alegria, diversão e cumplicidade”, diz Márcia, participante da oficina.
Estiveram presentes pessoas de outras religiões que não participaram das atividades devido ao seu segmento religioso, mas que fizeram questão de prestigiar os seus colegas da turma. “Estou aqui pela primeira vez participando do projeto e está sendo muito importante desenvolver atividades dessa temática, pois valoriza a cultura nordestina, além de trazer diversão e alegria”, cita Deise, membro do projeto.
A UATI possui um público diverso contando tanto com pessoas de Seabra quanto de outras localidades. O aprendizado desses idosos dentro da oficina é de suma importância, pois é uma forma de desenvolver atividades de cunho pedagógico, dinâmico, cultural, atrativo, fazendo com que eles saiam de suas rotinas corriqueiras e possam interagir não só com pessoas do mesmo grupo, mas também com pessoas de diferentes idades e através dessas oficinas ocorrer trocas de saberes com estes idosos, o compartilhamento de histórias de vida e a produção de trabalhos educativos. “Passei a fazer parte da UATI este ano e acho muito importante essas atividades para pessoas do nosso grupo e a UNEB juntamente com toda organização está de parabéns, pois me sinto feliz e entusiasmada por estar compartilhando esse lindo momento”, diz Ana Maria, participante do projeto.
As alunas do projeto de extensão Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati) vieram vestidas à caráter e dançaram quadrilha. Fotos: Daniela Souza
O “Sarau em Chamas” aconteceu à noite, em volta de uma fogueira ao ar livre da UNEB. Reuniu expressões artísticas, poemas e música ao vivo, com a participação de discentes e docentes de diferentes cursos do Campus XXIII, abordando temas como literatura, a Chapada Diamantina e o próprio forró da UNEB.










Momentos do Sarau em Chamas, música ao vivo, poemas, literatura e apreciação dessas expressões artísticas. Fotos: Mariele Souza e Vitória Oliveira
O Forró da UNEB segue com suas atividades, mostrando que a força do São João no Campus XXIII vai além dos festejos, toca na memória, na educação e no afeto. Celebra a cultura de forma laica e inclusiva, o evento continua nesta quinta-feira (28) deixando a certeza de que a tradição local e o conhecimento caminham sempre juntos.
Segue a programação abaixo no Instagram da UNEB Seabra.
*Alunos do curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora Dayanne Pereira.