O Projeto de pesquisa no complexo arqueológico da Serra das Paridas ganhou seu primeiro desdobramento em evento aberto ao público, no auditório do Memorial Afrânio Peixoto, em Lençóis.

Por Roberty Gabriel Oliveira*

  O Projeto de Pesquisa Arqueológica do Complexo Serra das Paridas foi lançado no último dia 19, no auditório do Memorial Afrânio Peixoto, em Lençóis, com o apoio da Secretaria de Turismo do município. Essa iniciativa é fruto de uma parceria entre o Grupo de Pesquisa Bahia Arqueológica da Universidade Federal da Bahia (UFBA/CNPq) e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) — Campus Seabra. Na ocasião, o evento envolveu profissionais do patrimônio, gestores do meio ambiente, a equipe envolvida no projeto (coordenadores, bolsistas, professores e pesquisadores das áreas de arqueologia e turismo), comunidade e convidados.

Equipe técnica que compõe o projeto se apresentado durante o evento. Foto: Sirlene Rosa

  O coordenador geral do projeto, é o Prof. Dr. Carlos Etchevarne que falou sobre as riquezas de materiais arqueológicos na Chapada Diamantina. “Eu sempre tenho expectativas com relação à Chapada porque a profusão de materiais arqueológicos é enorme. E sempre sinto um grande pesar pelo fato de não serem aproveitados e, sobretudo, não serem respeitosamente cuidados. Considero que, de alguma forma, o lançamento dessa nova etapa, desse trabalho aqui na Chapada, pode ter grandes expectativas, no sentido de que parece que os representantes estão envolvidos de uma forma sincera”, afirma o professor.

  O arqueólogo, Alvandyr Bezerra, é o coordenador de campo do projeto e fala sobre as expectativas que envolvem além da escavação, educação patrimonial. “É um projeto que vai além da pesquisa arqueológica. É um projeto que eu diria de ordem social e educacional. A ideia da gente é exatamente fazer com que a pesquisa arqueológica chegue às escolas, chegue à comunidade, e que essa comunidade também vá ao sítio arqueológico, visite o sítio arqueológico para entender esse contexto. Então, estou muito feliz, acredito nesse projeto e ainda mais envolvendo pessoas, estudantes e professores, da Chapada Diamantina”, ressalta o pesquisador.

Plateia atenta à apresentação do que será desenvolvido por meio das pesquisas feitas no complexo arqueológico. Foto: Roberty Gabriel

  Essa pesquisa será desenvolvida durante um prazo de 12 meses, envolvendo atividades de campo (escavações arqueológicas), trabalhos de laboratório e de educação patrimonial, com as colaborações dos bolsistas da Uneb e Ufba e a supervisão dos docentes dos colegiados de jornalismo, língua inglesa e pedagogia da Uneb Seabra, além de pesquisadores das áreas de arqueologia e turismo. 

  A coordenadora do curso de jornalismo da Uneb Seabra, Juliana Almeida, descreve  que um dos focos de desenvolvimento do trabalho será democratizar todo o conhecimento adquirido. “A gente vai ter a oportunidade de trabalhar com divulgação científica, com jornalismo científico, trazendo para a comunidade todo trabalho feito lá na Serra das Paridas. Então nosso desafio é exatamente fazer com que esse conhecimento saia dos muros da universidade e que ele possa ser apropriado pelas outras pessoas”, pontua a coordenadora.

O que é o Complexo Arqueológico Serra das Paridas?

Pinturas rupestres no sitio aberto à visitação. Foto: Roberty Gabriel

  O Complexo Serra das Paridas é um parque arqueológico localizado no município de Lençóis, Chapada Diamantina. A localidade abriga mais de 1000 pinturas rupestres divididas em quatro sítios, porém apenas um é aberto à visitação.

  No dia 20 de maio, ocorreu a primeira visita com a equipe técnica que compõe o projeto no sítio arqueológico. Eles conheceram de perto o local em que irão trabalhar por meses. O momento foi de muita troca de conhecimentos acerca de todo aquele patrimônio cultural que guarda uma das mais antigas manifestações artísticas e de comunicação humana.

Os bolsistas envolvidos no projeto conhecem de perto um dos painéis onde estão localizadas as pinturas rupestres. Foto: Roberty Gabriel

*Aluno do curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora Juliana Almeida.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra