As inscrições para ouvintes estão abertas para apresentação de trabalhos e ouvintes até o dia 1 de dezembro.
Por Gabriela Medeiros*
A literatura afro-brasileira fortalece a universidade enquanto território de memória e futuro. Nos dias 2 e 3 de dezembro de 2025, o Campus XXIII da UNEB, em parceria com o Colégio Estadual de Seabra Tempo Integral, realiza o Seminário Estudos Afro-Brasileiros, evento que marca os 20 anos do Grupo de Pesquisa CLIC – Crítica Literária e Identidade Cultural, um dos coletivos acadêmicos mais ativos da Chapada Diamantina. A programação integra ainda a 10ª Vez da Palavra, projeto regional que aproxima literatura, comunidade e formação universitária. Os ouvintes podem se inscrever até o dia 1 de dezembro.
A força de duas décadas de pesquisa
Fundado no início dos anos 2000, o Grupo CLIC percorreu duas décadas produzindo conhecimento, formando pesquisadores e ampliando debates sobre literatura afro-brasileira, história cultural e representações identitárias.
Seu legado é visto não só nas publicações e projetos, mas na própria transformação do ambiente acadêmico, que hoje abriga discussões mais plurais, enraizadas na realidade local e nas vozes historicamente silenciadas.
Para quem vivencia o cotidiano da pesquisa, esse aniversário representa a consolidação de um projeto intelectual comprometido com a vida social e cultural da Bahia.
Baianidades: da sala de aula à comunidade
O tema escolhido para esta edição “Baianidades: Literatura, Identidade, Memória, História” reflete a intenção de mergulhar na diversidade que compõe a experiência baiana. Em debates, rodas de conversa e atividades culturais, estudantes, professores e moradores da região discutem como a literatura revela, resgata e reinventa modos de ser e viver.
A programação inclui ainda o subprojeto Literatura Baiana na Sala de Aula do PIBID, que aproxima os licenciandos da prática docente ao trabalhar textos de autores baianos com estudantes da rede básica. É a pesquisa ganhando vida dentro da escola, formando leitores e futuros professores ao mesmo tempo.
Quando a palavra encontra a cidade
Ao ocupar o Colégio Estadual de Seabra e dialogar diretamente com a comunidade, o seminário reinventa o papel da universidade pública. A literatura deixa de ser um objeto restrito às salas acadêmicas e se transforma em ponte: entre gerações, entre territórios, entre histórias.
Essa integração fortalece o vínculo entre a UNEB e a população da Chapada Diamantina, reafirmando a educação como campo de transformação social.
Um evento que afirma identidades e projeta futuros
Além de celebrar 20 anos de um grupo de pesquisa, o Seminário Estudos Afro-Brasileiros reforça uma ideia essencial: a literatura é uma ferramenta de resistência e de reexistência. É pela palavra que se preservam memórias, se reafirmam identidades e se constroem futuros mais igualitários.
“A programação de dois dias, incluí o Dia do Samba e aniversário de Mestre Didi, portanto o dia 2 de dezembro, foi proposital, afinal o CLIC tem se destacado em suas iniciativas de afro-baianidades, afro-brasilidades. O evento também é uma forma de festejar a nossa relação com o ensino básico e o ensino de literatura. Convidamos escritores que possuem obras na lista de leituras obrigatórias do vestibular da UNEB à nossa partilha de saberes”, afirma o coordenador do CLIC e do colegiado de Licenciatura em Língua Portuguesa do campus Seabra, professor Gildeci Leite.
O CLIC chega a essa marca histórica com o mesmo compromisso que deu origem ao grupo: pensar a cultura em diálogo com a sociedade, transformar a universidade em território de diversidade e abrir espaço para que mais vozes possam, finalmente, ser ouvidas.
*Aluna curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.