Evento reuniu moradores, pesquisadores, agricultores familiares e instituições em uma celebração marcada por atividades culturais, formação, artesanato e valorização do licuri.

Por Lucas Assunção e Tainara Assunção*

Pessoas reunidas após roda de conversa. Foto: Tainara Assunção

  A comunidade de São José, no município de Abaíra, foi palco da II Festa do Licuri, realizada no último dia 31 de maio. O evento reuniu moradores, representantes de instituições, pesquisadores, agricultores familiares e integrantes da Rede Guardiãs da Chapada Diamantina em uma grande celebração da cultura, da tradição e dos saberes ligados ao licuri.

  A programação teve início com uma roda de capoeira, seguida pela mesa de abertura, que destacou a importância da valorização das comunidades tradicionais e do fortalecimento das cadeias produtivas associadas ao licuri, fruto símbolo da região. Considerado uma das principais palmeiras nativas do semiárido baiano, o licuri possui grande importância econômica, cultural e ambiental para as comunidades rurais, sendo utilizado na alimentação, no artesanato e na produção de diversos derivados.

  Durante a abertura do evento, o prefeito de Abaíra, Wellington Barbosa, ressaltou a importância do reconhecimento dos conhecimentos construídos pelas comunidades rurais e do potencial do licuri para o desenvolvimento local.

  “Hoje foi uma grande aula da vida, poder aprender com pessoas que talvez não tenham tido a oportunidade de frequentar a escola, mas carregam conhecimentos importantes para o nosso território”, afirmou Barbosa.

  O gestor também destacou a diversidade de usos do fruto e sua capacidade de gerar renda para as famílias da região. “O licuri produz óleo, cachaça e alimentação, mostrando que nossas comunidades têm potencial para gerar renda e qualidade de vida”, destacou Barbosa.

Comidas e óleos produzidos através do Coco Licuri. Foto: Lucas Assunção

  Ao longo da manhã, os participantes acompanharam atividades de formação e troca de experiências sobre o manejo, a preservação e o aproveitamento sustentável do licuri. A programação também contou com o lançamento do documentário Rede Guardiãs do Coco Licuri e Babaçu da Chapada Diamantina.

  Após a exibição, foi realizada uma roda de conversa que promoveu reflexões sobre a preservação dos conhecimentos tradicionais e o protagonismo das mulheres na proteção do patrimônio cultural e ambiental da região.

  O diretor do documentário, Ricardo Boa Sorte, destacou a importância da produção como um registro das histórias e saberes construídos pelas comunidades da Chapada Diamantina. “Dirigir esse documentário é, acima de tudo, um exercício de afeto, de sentir-se em casa e escutar as nossas histórias, as histórias do nosso território”, afirmou.

  Segundo Boa Sorte, a obra busca fortalecer a identidade cultural da região e ampliar a visibilidade dessas experiências. “É um olhar de nós para nós e para o mundo”, completou.

  Outro destaque do evento foi a exposição Quebrando o Silêncio, Guardando a Tradição, organizada pela Rede Guardiãs da Chapada Diamantina. A mostra apresentou ao público elementos da cultura, da história e dos saberes tradicionais ligados ao licuri, despertando o interesse dos visitantes e fortalecendo a valorização desse patrimônio cultural.

Fotos: Lucas Assunção

  A festa também contou com a exposição e comercialização de produtos derivados do licuri, além de peças artesanais produzidas pelas comunidades locais. A atividade permitiu que os visitantes conhecessem diferentes formas de aproveitamento do fruto, evidenciando seu potencial para a geração de renda e para o fortalecimento da economia local.

  De acordo com a organizadora Dulcilene dos Anjos, a iniciativa também contribui para tornar mais conhecido o trabalho desenvolvido pelas guardiãs do licuri. “Eu acredito que várias pessoas que aqui estão não conheciam, e agora ficam conhecendo”, destacou Anjos.

  Após o almoço coletivo, a programação cultural movimentou a comunidade com apresentações de cordel, concurso de pratos preparados com licuri, Reisado do Brejo de Abaíra, concurso de quebra do licuri e o tradicional desfile das Rainhas do Licuri, valorizando a beleza, a identidade e a cultura das comunidades participantes.

  O encerramento ficou por conta da animada roda de samba das mulheres, celebrando a força feminina, a cultura popular e a união das guardiãs que mantêm vivas as tradições da Chapada Diamantina.

  A II Festa do Licuri reafirmou a importância da preservação dos conhecimentos tradicionais, do protagonismo das mulheres guardiãs e da valorização de práticas sustentáveis que fortalecem a identidade cultural, a memória coletiva e a economia das comunidades rurais da Chapada Diamantina.

*Alunos do curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora Dayanne Pereira

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra