Artigo analisa a relação simbólica entre mulheres e água da Chapada Diamantina.

Por Poliana Fraga*

  Neste mês de março, a professora Gislene Moreira, do Departamento de Ciências Humanas do Campus XXIII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), publicou um artigo intitulado “Cuerpos Hídricos: Mujeres e imaginarios del agua en las luchas ecoterritoriales del semiárido de Bahía” no livro “Geopoéticas del agua en América afro-Abya Yala”, lançado pela Universidade de Jena, na Alemanha, em parceria com o Instituto Calas e a Teseo.

  No capítulo, escrito em espanhol, Moreira analisa a construção dos imaginários em torno das mulheres e da água nas serras do sertão baiano. A abordagem explora como esses imaginários foram formados desde a época da colonização, incluindo referências simbólicas como a de Adão e Eva.

  Além disso, o artigo analisa a dimensão simbólica da relação das mulheres com o território da Chapada Diamantina. Moreira destaca que essas mulheres “guardam outros imaginários pra ideia da natureza, da transição energética e da água como uma questão muito mais viva, relacional e simbólica, do que simplesmente recursos, como é abordado pelos órgãos ambientais e megas empreendimentos.”

  O livro em que foi publicado o artigo da professora Moreira é “Geopoéticas del agua en América afro-Abya Yala”, organizado por Claudia Tomadoni, David Foitzick Reyes e Claudia Hammerschmidt. A obra traz histórias e narrativas sobre as lutas pelos bens comuns, destacando os direitos da natureza, a justiça socioambiental e o combate à desigualdade social. O livro pode ser acessado pelo site Teseo Press.

Gislene Moreira

  Professora titular da UNEB – Universidade do Estado da Bahia, atua no curso de Jornalismo de Seabra e no OCA – Observatório dos Conflitos Socioambientais da Chapada Diamantina. Integra o Mestrado Profissional em Ciências Ambientais (PROFICIAMBS) da UEFS. Pós-doutora em Comunicação, Gênero e Transição Energética pela Flacso-México e PPGCOM da UERJ (2024-2026), colaborou como pesquisadora visitante do CIEG/UNAM. Neta de agricultores sem-terra, formou-se doutora em Ciências Socais e Política pela Faculdade Latino-America de Ciências Sociais (Flacso-México). A tese sobre movimentos sociais e as novas leis de mídia na América Latina foi premiada como um dos melhores trabalhos na área em 2012 pela Flacso-Brasil, Alas e Clacso. É mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (2007), especialista em Gestão Social para o Desenvolvimento pela UFBA (2005) e graduada em Comunicação Social pela UNEB (2002). Dedica-se a temas de agência política dos movimentos sociais, comunicação socioambiental e educomunicação popular na América Latina, buscando respostas na área da cultura para a emergência climática. É autora do livro Sertões Contemporâneos: rupturas e continuidades (2018), Munturo (2022) e As Aventuras de Chicó (2024). É mãe de Francisco e Luísa.

*Aluna do curso de Jornalismo da UNEB Seabra, sob orientação da professora Dayanne Pereira.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra