“Nessa fase da vida escolar, a criança está descobrindo o prazer da leitura, a beleza das palavras e a força da expressão artística. Assistir a um sarau é uma oportunidade de ampliar horizontes culturais e despertar o interesse pela literatura de forma leve e prazerosa”, afirma Eduardo José, diretor da Escola Municipal Santa Luzia.

Por Eloísa do Carmo*

Estudantes e professores(as) do curso de Letras Vernáculas da UNEB Seabra. Fotos Eloísa do Carmo

  No dia 22 de agosto, estudantes do curso de Letras Vernáculas da UNEB – Campus Seabra com a professora Dra. Josane Silva Souza, realizaram o Sarau Literário Infantojuvenil Histórias e Aventuras, resultado da culminância da disciplina “O Estético e o Lúdico na Literatura Infantojuvenil”. O encontro foi marcado por escutas, partilhas e vivências literárias com crianças e pessoas de diferentes idades.

  A iniciativa surgiu a partir da disciplina, que possui uma ementa diversificada e, em seu planejamento, previa a realização do sarau. A proposta foi compartilhada com os estudantes e, assim, a oportunidade de apresentar o universo da leitura a cada um deles pôde ser colocada em prática. A convite dos organizadores, a Escola Municipal Santa Luzia marcou presença com uma turma animada, que participou do início ao fim e trouxe colaborações que enriqueceram o desenrolar do sarau

  O evento abriu espaço para que os discentes do curso colocassem em prática estratégias pedagógicas de observação e mediação da leitura, além de promover vivências culturais para o público jovem.

  Por meio de obras como Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado; As Bonecas de Nyashia, de Odailta Alves; Poesia na Varanda, de Sônia Junqueira; O Elefante e A Cinderela das Bonecas, de Ruth Rocha; e O Muro no Meio do Livro, de Jon Agee, os estudantes estimularam a leitura e a expressão oral entre as crianças. Dessa forma, contribuíram para a apropriação criativa de textos literários e criaram um ambiente capaz de transformar a leitura em afeto e união entre os alunos da Escola Santa Luzia e os estudantes do curso de Letras da UNEB.

  Para Claudeni Santos de Aquino, estudante que participou da realização, o espaço se tornou um momento de pura riqueza cultural e afetiva. As crianças encantaram a todos com sua espontaneidade, criatividade e alegria em compartilhar a literatura. “Cada leitura, cada poesia e cada gesto mostraram como a arte pode despertar sentimentos, fortalecer vínculos e transformar a aprendizagem em algo vivo e significativo”, reflete Aquino.

  Aquino afirma que as crianças revelaram um mundo repleto de sensibilidade e potência quando tiveram a oportunidade de se expressar. Ainda segundo o estudante, essa primeira edição do sarau marcou a memória coletiva e reafirmou a importância da leitura como caminho de interação, imaginação e formação cidadã.

  Para Eduardo José, diretor da escola, a participação dos alunos do Ensino Fundamental I como ouvintes no sarau literário se tornou uma experiência extremamente enriquecedora. Ao ouvir poesias, histórias, músicas e encenações, os estudantes desenvolveram a escuta atenta, a concentração e a sensibilidade. “Esses momentos ajudam a criar um vínculo afetivo com a arte e estimulam a imaginação, permitindo que cada criança crie imagens e sentimentos a partir do que ouve”, explica José.

  Para ele, a presença como ouvinte é também um exercício de respeito e convivência. Em sua percepção, experiências como essa tornam a criança mais apta a valorizar o momento do outro, reconhecendo o esforço, o talento e a coragem dos colegas que se apresentam. “Esse aprendizado contribui para a construção de uma postura cidadã, baseada no respeito às diferenças e na valorização da coletividade”, destaca José.

  O sarau é um espaço de incentivo e motivação, afirma José. No momento em que as apresentações começaram, foi perceptível o despertar do desejo de protagonismo: muitas crianças que, a princípio, preferiam apenas assistir, acabaram se inspirando nos colegas e criando coragem para declamar, se apresentar ou contribuir com alguma fala.

  “Outro aspecto importante é que, ao ouvir diversas apresentações, os alunos têm contato com diferentes estilos de textos, músicas e interpretações. Isso enriquece o vocabulário, desperta a curiosidade e amplia a visão de mundo, ajudando-os a perceber que a literatura está em todo lugar e pode ser vivida de várias formas”, explica José.

  Essa primeira edição fortaleceu os vínculos entre a Universidade e a comunidade escolar. Para a discente Priscila Rosa de Jesus, essa não será a única edição. “Faremos mais vezes e continuaremos defendendo que eventos como esse são cruciais para o desenvolvimento dos alunos. Além de estimular o senso crítico, fazendo com que eles enxerguem além do que está escrito, também contribuímos para a formação deles e para manter ou despertar o hábito da leitura”, relata com entusiasmo.

  A partir dessa primeira experiência, a professora Josane Silva Souza afirma já estar consolidando um modelo de encontro literário que pode ser repetido e ampliado. “Planos preliminares já estão em discussão para edições futuras, com possibilidades de ampliar a participação de outras escolas e incluir ações de continuidade, como rodas de leitura, saraus temáticos e oficinas literárias”, explica Souza. Priscila Rosa de Jesus compartilha desse entusiasmo. “Foi uma experiência incrível, cada aluno que interagia nos dava a certeza de que estamos no caminho certo”.

  “O simples ato de ouvir com atenção já contribui para o desenvolvimento pessoal, social e acadêmico. Ser ouvinte, portanto, é também fazer parte essencial desse momento, pois, sem o público, não existe partilha verdadeira. Agradecemos à UNEB – Campus Seabra pelo convite para participar do primeiro sarau promovido pelos alunos”, destaca José

*Discente curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra