Seabra é o 10º campi a receber Audiência Pública sobre Cultura, Artes e Movimentos Democráticos na Extensão Universitária

Por Bores Júnior*

Abertura da Audiência Pública no Campus Seabra. Foto: Dafny Cupertino

  São 42 anos de história que a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) vem construindo, por meio de sonhos, conquistas e desenvolvimento, nos 24 territórios de identidade. Em prol de uma educação pública, interiorana e de qualidade, a instituição possui o maior projeto multicampi da América Latina, com 27 campi e 31 departamentos distribuídos de norte a sul, envolvendo desde terras litorâneas até terras sertanejas.

  Pela primeira vez, a instituição realiza Audiências Públicas sobre Cultura, Artes e Movimentos Democráticos na Extensão Universitária, visando construir políticas extensionistas e aproximar a sociedade civil com a universidade. Até o momento, foram realizadas 10 audiências nos campi de Barreiras, Juazeiro, Irecê, Brumado, Bom Jesus da Lapa, Xique-Xique, Lauro de Freitas, Alagoinhas, Ipiaú e Seabra, realizada na quinta-feira (10) e sexta-feira (11) de julho de 2025.

  Em terras onde a linguagem artística faz parte da história, músicas e recitação de cordel esteve na abertura do evento, com a colaboração da estudante Naiara Rodrigues do Nascimento (no microfone)l, acompanhada pelo Prof. Igor José Mascarenhas (no violão) e pelo Prof. César Filho (no teclado). Além da participação de Lucineia de Souza Araújo como cordelista.

Abertura da Audiência Pública no Campus Seabra. Foto: Dafny Cupertino.

  Durante os dois dias, a Chapada Diamantina recebeu a equipe da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), Assessoria de Cultura (ASCULT) e do Gabinete da Reitoria – Assessoria Especial Territorial (ASSESP). A presença desses setores, localizados na Administração Central em Salvador, teve o objetivo de aproximar a reitoria para entender as demandas locais, visando construir alternativas adequadas ao Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCHT), Campus XXIII, e ao território.  

  O primeiro dia do evento contou com uma Roda de Conversa sobre Extensão Universitária e Movimentos Democráticos, que estimulou a participação da comunidade universitária. Os convidados foram:

  • Vanusa de Oliveira (Egressa e representante do Povo Indígena Tapuya)
  • Ana Carolina Delfino Regis (Membros da Feira Agroecológica)
  • Prof. José Welton Ferreira Júnior (Membro do Departamento e coordenador do NUPE – DCHXXIII)
  • Daniela Galdino (Membro da Proex e colaboradora da ASCULT)
  • José Bores de Araújo Junior (Membro Discente)

  O coordenador do Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE), José Welton Ferreira, contou como Seabra foi escolhida para sediar o evento. “Os departamentos que quisessem sediar essas audiências deveriam fazer uma carta de intenção, e assim fizemos, contando com todos os segmentos do departamento, técnicos, professores e discentes”. Ferreira ainda explicou que a ideia é criar um amplo debate e discussão em torno da participação da comunidade externa com a instituição “É pensar uma participação social muito mais ampla, para além da extensão universitária”.

  Para o estudante de Letras – Língua Portuguesa, Claudeni Aquino, o evento foi marcado por importantes reflexões sobre a universidade e suas demandas. “Essas ações ampliam a escuta ativa e o compromisso coletivo com as melhorias necessárias à comunidade acadêmica”. Aquino também destacou a representatividade na mesa de abertura, reforçando a importância da diversidade e da inclusão na academia.

Grupo de Trabalho. Foto: Milena Sant'ana.

Projetos que crescem a Universidade

  O ensino, a pesquisa e a extensão são os pilares da universidade. É através disso que a instituição sai das dependências físicas e ultrapassa os muros, levando projetos desenvolvidos pelos cursos de graduação. Essas atividades são atrativos que chamam a comunidade externa para o Campus Seabra.

  Durante o evento, aconteceu o projeto da Brinquedoteca Móvel, que realiza ações durante as solenidades na UNEB Seabra. A professora do curso de Pedagogia, Ronilda Rodrigues, destacou que “o objetivo é receber as crianças das pessoas que vêm para os eventos, para que as pessoas fiquem mais tranquilas e as crianças também se divirtam no espaço”.

  Na montagem do local, são criadas alternativas que influenciam as crianças na formação cognitiva. Rodrigues explica “a gente dividiu o espaço lúdico por cantinhos; então, tem o cantinho da leitura, o cantinho do jogo de montar, o cantinho das pinturas. Assim, a criança tem a possibilidade de escolher o que ela quer fazer nesse espaço”.

  O Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) da UNEB Seabra também marcou presença no evento para dar visibilidade às ações realizadas pelo setor no campus. A secretária do NAI, Solange Almeida, explicou a importância da contribuição da audiência para a divulgação das atividades, “estamos com a sala do NAI, com telas de exposição dos alunos do curso de pedagogia, temos também cartilhas e materiais que falam sobre inclusão. E tudo isso está contribuindo com o evento aqui”.

Cinema: um olhar para as telas

  A Proex trouxe na bagagem a 14ª Mostra Ecofalante de Cinema, uma Organização da Sociedade Civil – OSC (entidade privada sem fins lucrativos) que vem desenvolvendo projetos de cunho educacional com a exibição de filmes e debates desde 2013 em universidades do Brasil. Foi no auditório do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA, Campus Seabra, que a mostra ganhou cor, som e imagem. Foram quatro curtas com temas diferentes que aproximaram os participantes das produções audiovisuais.

  O crítico de cinema e professor da UNEB Seabra, Rafael Carvalho, destacou a diversidade dos filmes. “Teve um filme sobre a questão quilombola, um sobre a questão trans, um que falava sobre a questão do empreendedorismo atual, principalmente para as pessoas de baixa renda, e sobre a uberização do trabalho” – referindo-se à transformação do trabalho por meio de plataformas digitais. 

  Carvalho acrescentou detalhes sobre a riqueza da programação. “E teve outro filme também falando sobre a militância da Lélia Gonzalez. São filmes muito diferentes entre si, mas que tocam em questões sociais, políticas, questões de militância, de resistência.”

  Durante a atividade, houve acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Carvalho enfatizou que “tinha espectadores surdos na plateia que puderam acompanhar, então foi realmente muito proveitosa essa parceria com a Ecofalante, que aconteceu em vários campi da UNEB durante essa semana.”

Relatos e Vivências: a importância do diálogo

  São diversas demandas que o campus de Seabra possui. Por isso, no segundo dia do evento, foram criados grupos de trabalho (GTs) para organizar as discussões. Confira os GTs:

  • GT01: Meio Ambiente, Saúde, Produção e Trabalho (Feira Agroecológica). Mediador(a): Coordenador: Prof. Edvan Lessa; Relator(a): Taciere Santana (DCHT XXIII).
  • GT02: Cultura, Educação e Comunicação (Articulação com as comunidades a partir dos trabalhos da disciplina Comunicação Comunitária – Curricularização da Extensão) Coordenador (a)/ Relator(a): Profa. Dayanne Pereira.  Mediadores: José Bores de Araújo Junior e Gabriel Araújo (DCHT XXIII).
  • GT03: Educação, Tecnologias, Direitos Humanos e Inclusão: O Campus XXIII e seu compromisso com a educação superior na Chapada Diamantina. Coordenador (a)/Relatora (a): Thamires (Secretária – NUPE); Mediadora: Prof. Elias de Souza Santos (DCHT XXIII) e Profa. Josane Silva Souza. Discentes: Guadalupe de Almeida Souza e Naiara Rodrigues do Nascimento (DCHTXXIII).

  Tendo o compromisso de discutir o território, os participantes tiveram a oportunidade de pontuar as ações e as necessidades que o departamento possui. Também foram relatadas a ausência de infraestrutura do espaço físico e do transporte para que a extensão da universidade esteja presente nas comunidades do entorno do campus.

  A estudante Camila Oliveira, do curso de Letras Língua Portuguesa, declarou que os GT’s foram interessantes, pois “são momentos de exposições de ideias e estratégias para soluções e melhorias de alguns fatores da universidade que envolvem tanto a comunidade externa como a interna. Ainda afirmou a importância de ouvir as pessoas “Esse momento de escuta é importante para compreendermos as demandas do próximo e juntos irmos em busca de possíveis soluções de maneira coletiva e inclusiva”.

Pensar no futuro é fazer caminhos

  Depois da audiência, que promete ações efetivas, a equipe da PROEX deixa a Chapada Diamantina e segue em direção ao Piemonte do Paraguaçu, para o Campus XIII da UNEB em Itaberaba, onde acontecerá a última audiência, fazendo parte de um conjunto de 11. Todos os desejos relatados e as propostas levantadas em Seabra estarão em um relatório coletivo das Audiências Públicas, que trarão mudanças significativas para a história da universidade. 

  Independentemente dos campi que não sediaram as audiências, receberão ações conforme a necessidade, pois tudo que será colocado em prática é pensado na instituição. Um exemplo é que foi relatado pela integrante da ASCULT, Daniela Galdino, em Juazeiro, surgiu a necessidade de editais para a publicação de literatura negra e indígena. Em resposta, a UNEB lançou o edital “Literaturas Negras e Indígenas da Bahia: A Arte da Palavra no Risco da Cor”, destinado a toda a universidade.

*Discente curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra