“Faz a gente ter mais orgulho de participar dessa instituição, que chega onde as outras não chegam”, diz Juliana Almeida.
Por Eloísa do Carmo*
Nos dias 28 a 30 de maio de 2025, o Campus da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em Teixeira de Freitas sediou a terceira edição do Congresso de Extensão Universitária (CEU/UNEB). Realizado de forma bianual, o evento reuniu estudantes, professores, técnicos e representantes de movimentos sociais para refletir sobre a curricularização da extensão e sua centralidade na construção de uma universidade popular, inclusiva e multiterritorial.
Com o tema “Andanças e inventividades: curricularização da extensão nas lutas pelas identidades, ancestralidade e territórios”, o III CEU/UNEB deu continuidade aos debates sobre a inserção da extensão nos currículos dos cursos de graduação e pós-graduação stricto sensu. A proposta foi compartilhar vivências e processos extensionistas que dialogam diretamente com os territórios e as realidades sociais diversas da Bahia.
Entre os destaques do evento, esteve a expressiva participação do Campus XXIII – Seabra, que contou com representantes de todos os cursos ofertados no campus, demonstrando o fortalecimento da cultura extensionista na unidade. O curso de Jornalismo esteve presente com a coordenadora e professora Juliana Almeida, que levou ao congresso o projeto de extensão Vozes Diamantinas, apresentado no Grupo de Trabalho (GT) de Arte e Cultura. Já o curso de Pedagogia foi representado por estudantes que apresentaram trabalhos e compartilharam vivências relacionadas à inclusão e acessibilidade.
Segundo Juliana, o CÉU vai além de um congresso acadêmico, ele se tornou um espaço de encontro entre os multi campis. “O CÉU, na verdade, é onde a UNEB se encontra. Uma Universidade multicampi, onde todo mundo fica muito distante. Então, ali é a possibilidade que a gente tem de encontrar tudo o que a UNEB faz em termos de extensão, o que faz com a comunidade, trocar conhecimento”, afirmou.




A docente também ressaltou o papel ativo do curso de Jornalismo em Seabra. “É muito gratificante mostrar que o nosso curso está fazendo extensão, está produzindo, é pujante e tem um trabalho direto com a comunidade. A extensão é um braço muito forte da UNEB.”
A programação incluiu visitas técnicas e imersões em comunidades locais. Almeida relata a experiência de visitar a comunidade indígena Pataxó como um dos momentos mais marcantes. “Foi uma imersão não só na cultura, mas também nos desafios enfrentados por aquele povo, especialmente as questões relacionadas à violência no território. A UNEB está presente em tudo, e isso é muito impressionante.”
Já o curso de Pedagogia também esteve representado por estudantes do Campus de Seabra. A aluna Nayara Rodrigues compartilhou sua vivência no evento e destacou a importância da inclusão nos espaços de extensão. Ela e sua monitora Beatriz de Oliveira Santos apresentaram um trabalho intitulado “Extensão e Inclusão, uma Experiência Brincante no Quilombo Mulungu, Boninal, Bahia” e participaram de uma roda de conversa sobre práticas inclusivas na educação.
“Como eu sou uma aluna com deficiência, foi muito importante participar de uma apresentação que tratava da área inclusiva. Eu me senti bem acolhida, bem incluída. Não teve nenhuma atividade da qual eu não pudesse participar. Eu consegui interagir com o pessoal, fazer perguntas e me sentir parte de tudo”, relatou.
Rodrigues também fez um apelo por acessibilidade nas oportunidades oferecidas pela Universidade. “Eu queria muito que, quando houvesse esses eventos, que dessem à gente a possibilidade de ser monitor, com atividades que realmente sejam acessíveis. Quando fui monitora em Seabra, não consegui executar muita coisa porque era inacessível a mim.”
A estudante avaliou o evento como produtivo e enriquecedor, reforçando sua expectativa de continuar participando dos próximos encontros. “Espero que, enquanto eu estiver na UNEB, eu possa continuar participando e produzindo algo que seja legal tanto para mim quanto para quem estiver presente.”
Para Santos, sua participação em eventos acadêmicos vem sendo experiências enriquecedoras para sua formação. “Foi um momento muito rico. Apresentei o trabalho em uma manhã, mas permaneci lá por quase uma semana e aproveitei bastante tudo que o evento poderia me oferecer, como, por exemplo, a diversidade cultural e a feira agroecológica”, relata a estudante.
Santos diz se sentir parte da Universidade e, com suas contribuições, sente que o seu lugar é na instituição que dá voz aos seus discentes. Segundo as estudantes, a participação discente em eventos como esse revela uma experiência transformadora. É na vivência prática que o aprendizado se fortalece e que se abrem caminhos para fazer a diferença, acolhendo e também sendo acolhido.
Além das apresentações acadêmicas, o congresso contou com mostras artísticas, pôsteres digitais e encontros paralelos, como o das Coordenações da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) e das Brinquedotecas Universitárias da UNEB. A estrutura do evento foi organizada por diferentes pró-reitorias, secretarias e núcleos da UNEB, reforçando a integração institucional e territorial.
Teixeira de Freitas ser a sede escolhida reafirma a política de interiorização da UNEB que valoriza territórios historicamente atuantes na extensão Universitária. Com forte atuação em áreas como educação indígena, saúde, educação do campo e ações afirmativas, o Campus do Extremo Sul da Bahia acolheu a diversidade de projetos e propostas que mostram a Universidade viva dentro dos territórios.
*Discente curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.