22 anos dedicados a formação de licenciados em Letras Português na Chapada Diamantina pela Uneb – Seabra.

Por Bores Júnior*

  Com a ideia de consolidar uma educação interiorana pública que alcance pessoas que tiveram dificuldade em se deslocar para as grandes cidades baianas em busca da realização do Ensino Superior. A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) teve a missão de unir 27 Territórios de Identidades em uma engrenagem que não somente conecta as terras litorâneas com as sertanejas, ou o Sul e o Norte, mas também promove a realização acadêmica de estudantes ao conquistar uma vaga. Esse mecanismo possibilita que a instituição tenha a maior multicampia da América Latina, com 31 departamentos instalados em diversas cidades.

  Na Chapada Diamantina, foi criado em 31 de outubro de 2002, por meio do Decreto nº 8.354, o Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCHT), o Campus XXIII da UNEB, sendo a única instituição pública em todo o território. Atualmente, o DCHT conta com quatro cursos: três licenciaturas (Pedagogia, Letras Português e Letras Inglês) e o curso de bacharelado em Jornalismo, recentemente implantado.

  São mais de duas décadas dedicados ao ensino da Língua Portuguesa, o curso mais antigo da casa reúne sonhos e realizações. Sua história está ligada diretamente a consolidação da Uneb Seabra, sendo uma conquista para o município. A graduação integra conteúdos científico-culturais, formação docente, eixo interdisciplinar e atividades acadêmico-científicas em um fluxograma com 50 disciplinas, totalizando 3.380 horas.

Atividades da UNEB iniciadas em 2003, no Centro de Treinamento de Líderes (CTL) em Seabra

  A forma de ingresso para o curso é anual e pode ser realizada por meio do Vestibular da UNEB ou pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU). A instituição oferece reserva de vagas e sobre vagas para:

  • 40% (quarenta por cento) das vagas reservadas para candidatos(as)
  • negros(as) – pretos(as) e pardos(as);
  • 5% (cinco por cento) de sobre vaga para candidatos(as) indígenas;
  • 5% (cinco por cento) de sobre vaga para candidatos(as) quilombolas;
  • 5% (cinco por cento) de sobre vaga para candidatos(as) ciganos(as);
  • 5% (cinco por cento) de sobre vaga para candidatos(as) com deficiência,
  • transtorno do espectro autista ou altas habilidades/superdotação; e,
  • 5% (cinco por cento) de sobre vaga para candidatos(as)(es) travestis,
  • homens trans, mulheres trans e pessoas não bináries.

(Acompanhe a resolução para mais detalhes).

O início de uma história

  Era uma sexta-feira de outubro, quando Gildeci Oliveira Leite entrou de roupas brancas para lecionar sua primeira aula. Natural de Salvador, o professor está há mais de duas décadas se dedicando ao curso de Letras de Seabra, e abraçou a Chapada Diamantina como lar. Leite foi um dos membros do grupo formador do curso; hoje, só ele permanece no campus, “alguns já se aposentaram, outros se transferiram para outros campi e outros fizeram concurso para outras universidades”, afirmou Leite.

  No ano de 2003, a instituição abriu sua primeira turma regular pelo vestibular e uma turma especial que formava professores que ainda não possuíam uma graduação. Essa foi a primeira a colar grau, pois existia uma necessidade de terem a formação, já que os estudantes trabalhavam na educação em seus municípios.

  O professor ainda afirma que o exercício da docência é muito importante para a região e diz também que muitos profissionais que ocupam cargos de gestão passaram pela Uneb Seabra. “Alguns fizeram Letras; boa parte deles e desses alguns fizeram a segunda licenciatura. Então, você pode encontrar profissionais de Letras tanto nos postos direcionados aos licenciados em Língua Portuguesa quanto aqueles que exercem outras funções, sejam elas administrativas ou de docência em outras áreas”, disse Leite

Projetos que transformam pessoas

  Os projetos nas universidades estão voltados para o âmbito do ensino, da pesquisa e da extensão. Eles são responsáveis por fazer com que o estudante coloque em prática aquilo que foi aprendido e desenvolvido em sala de aula, sendo também uma complementação para a formação do universitário para o exercício da futura profissão.

  O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que insere estudantes das licenciaturas no cotidiano da educação básica em escolas públicas. O objetivo é aproximar a teoria e a prática docente, com a orientação de dois professores: um da universidade e outro da escola. Durante doze meses, os estudantes selecionados recebem uma bolsa mensal para desenvolver atividades em sala de aula de acordo com o projeto.

  Alguns estudantes entram no PIBID de forma voluntária para enriquecer o Currículo Lattes (plataforma que unifica os dados da formação acadêmica no Brasil), como é o caso de Glaubia Silva Ramos, egressa do curso, que participou do subprojeto “Literatura Afro-brasileira e Baiana”, coordenado pela Prof. Me. Filismina Saraiva e pelo Prof. Dr. Gildeci de Oliveira Leite.

  “Reconheço como um período rico de aprendizados e de construção do conhecimento. Pois esse programa constitui se, como um divisor de águas, de extrema importância para o campo da educação. Já que, é uma iniciativa que busca, a inserção dos graduandos ao cotidiano escolar, permitindo vivenciar de fato à docência”, disse Ramos.

Arquivo de Instagram - @letraspibiduneb / 13 de abril de 2022 - Reunião com o núcleo de iniciação à Docência (PIBID), no Colégio Municipal Professora Armilar Evangelista de Oliveira Almeida, para planejamento do seminário final desta ediçãodo PIBID

  Outro caso semelhante é de Taís Viana, também egressa, “passei a ter um olhar totalmente diferente sobre a literatura afrobrasileira. Foi através dessa iniciativa que conheci autores que valorizam as histórias de persistência e resistência do povo negro. Acredito que é um programa necessário e que seria interessante se desenvolvido em muitas instituições”, afirmou Tais.

  O egresso do curso, Reginaldo Araújo, destaca que participar do PIBID foi fundamental para sua formação profissional ao proporcionar experiência prática na sala de aula. “Esse período enquanto bolsista foi frutífero, culminando em produções teóricas acadêmicas, apresentações em seminários, eventos escolares, coautoria de artigos de experiência e do capítulo “Experiências de Iniciação à Docência: Diálogos Literários Afro-Brasileiros e Baianos na Sala de Aula”, do livro “Narrativas Estudantis: experiências formativas em contexto”, da Série PRAES publicado pela Editora da Universidade do Estado da Bahia em 2021” afirmou Araújo.

  Atualmente, é docente e supervisor do PIBID no Colégio Estadual do Campo Filinto Justiniano Bastos no projeto “Literatura Baiana na Sala de Aula”, coordenado pelo Prof. Dr. Gildeci de Oliveira Leite. “Nessa nova fase, supervisiono na escola parceira a atuação de oito bolsistas de iniciação à docência na aplicação de suas ações em sala de aula do colégio em prol da formação integral dos estudantes do ensino básico, aliando teoria universitária com a prática pedagógica”, disse Araújo.

Venha fazer parte do curso de letras português

Curso de Letras Vernáculas da UNEB Seabra. Foto: José Welton

  Para Laís Eduarda Anjos de Souza, estudante do 3º semestre, “o curso de Letras Português e Literatura é muito mais do que estudar a língua e as obras literárias; é mergulhar na riqueza cultural, histórica e artística que molda a nossa identidade. É um caminho de estudo e paixão, que exige dedicação, mas que oferece como recompensa a capacidade de transformar vidas, começando pela minha”, disse a jovem.

  Se você tem interesse em participar do curso de Letras Português, siga as redes sociais da Uneb e acompanhe as publicações dos processos seletivos. Te esperamos aqui na Uneb Seabra.

*Discente curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira. 

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra