Além das botas sendo arrastadas pelo chão da UNEB, o público acompanhou o lançamento de livros e a agricultura familiar local.

Por Daniela Souza e Poliana Fraga*

Público presente no forró da UNEB. Foto: Gustavo Oliveira

  O tradicional “Forró da UNEB” realizou, nesta quinta-feira (28) a segunda noite de atividades no Campus XXIII. O evento contou com a presença da comunidade acadêmica e a população regional por meio de uma programação diversificada. A festividade é uma tradição do campus e tem como objetivo valorizar a cultura local, de aproximar a universidade dos moradores de Seabra e da Chapada Diamantina, além de seus fins acadêmicos. 

  “Estou muito feliz em ver a universidade tão cheia, não só com a população acadêmica, mas com pessoas de fora. E parabenizo todos os técnicos e também os colegiados da UNEB envolvidos, pois isso traz a importância de ver a universidade criando essa integração nessa data tão simbólica para nós, baianos, nordestinos, e é uma data que realmente reforça o início dos festejos juninos”, destaca Rafael Carvalho, professor do curso de Jornalismo da UNEB de Seabra.

Integração, o brincar e valorização

   As atividades foram iniciadas com a abertura da Mostra de Fotografia “Quebrando o Silêncio, guardando a tradição”, realizada pela coordenadora e professora do curso de Jornalismo, Juliana Almeida. O projeto é fruto de um curso de comunicação da “Rede Casas de Maria” para a “Rede Guardiãs”, que reúne 11 comunidades de mulheres quebradeiras de coco licuri. Após uma oficina de Educomunicação sobre fotografia publicitária, elas aprenderam a registrar  e divulgar seus produtos nas redes sociais. 

   “É a segunda vez que a exposição está acontecendo dentro dos espaços da UNEB. Ano passado foi na Semana de Comunicação Regional (SERECOM) e, este ano, estamos presentes no forró, que tem tudo a ver com a época festiva, pois florescem as cocadas, os beijus e o licor, além de mostrar o quanto a UNEB está buscando essa integração com as comunidades”, diz Almeida.

   O público infantil também foi contemplado na programação por meio do Arraiá da Brinquedoteca (projeto BrincArt). Paralelamente, o campus abrigou a Feira Agroecológica, espaço dedicado ao comércio de alimentos naturais e produtos artesanais, fortalecendo a valorização dos agricultores familiares locais.  

Feira agroecológica, alimentos naturais e produtos artesanais. Fotos: Gustavo Oliveira 

Tradição e homenagem

Quadrilha Pé de Fogo, da zona rural da lagoa da Boa Vista. Foto: Gustavo Oliveira

  Na sequência, o público acompanhou a apresentação da Quadrilha Pé de Fogo, vinda da comunidade de Lagoa da Boa Vista (zona rural de Seabra). Completando 22 anos de história este ano, o grupo se apresentou pelo segundo ano consecutivo, trazendo ao espaço acadêmico o tema “Saga de Vaqueiro”, sob a direção e coordenação geral de Janderson Lima e a diretora geral e coreográfica Katia Pina.

  “É algo que passa de geração em geração e tentamos manter esse lindo trabalho. Que é amor e dedicação pelo que a gente faz, e sempre inovando a cada ano. Trazemos temas que mexem, principalmente, com a nossa cultura.” destaca Lima. sobre a importância de levar a quadrilha para outros espaços. 

Quadrilha Pé de Fogo, da zona rural da lagoa da Boa Vista. Fotos: Gustavo Oliveira e Roberty Gabriel 

  Desde 2010, o forró da UNEB homenageia personalidades locais por sua contribuição na área da educação, literatura, artes e cultura em geral. Este ano, os homenageados foram Leonardo Teixeira e Elvis Silva Soares, egressos do curso de Letras, Língua Portuguesa e Literaturas deste campus. Tornaram-se servidores que trabalham na universidade há cerca de 20 anos.

  Durante 15 anos de edição do Forró, eles sempre estiveram à frente da organização, desde o formato, a programação, estrutura, ornamentação, divulgação, definição das apresentações artísticas e demais manifestações culturais. E com todo esse engajamento, os técnicos do departamento do Campus XXIII, resolveram homenageá-los como forma de reconhecimento e registro dessa história de envolvimento com o departamento. 

  “Além de ser uma festividade, o Forró da UNEB está consolidado como uma ação extensionista que promove o diálogo entre cultura popular, memória, educação e produção artística regional. Representa um encontro entre universidade e comunidade, reunindo música, literatura e manifestações populares em um ambiente de convivência, pertencimento e fortalecimento cultural”, diz Anderson Lima, coordenador financeiro do departamento. 

Os técnicos do departamento e os homenageados. Foto: Dayanne Pereira

Lançamento de obras literárias

  O lançamento de livros contou com os professores Gildeci Leite, Filismina Saraiva, Carla Lopes e Josane Souza que apresentaram suas obras mais recentes, proporcionando o diálogo entre autores e público.

  O livro “Tia Láli e A Casa Encantada”, de Carla Brandão Lopes, coordenadora pedagógica da Rede Municipal de Seabra e professora do Campus XXIII, nasceu de afetos, memórias e da vontade de mostrar às crianças que o amor não precisa seguir padrões perfeitos para ser verdadeiro. “A personagem representa aquelas pessoas intensas, humanas, cheias de falhas, barulho, espontaneidade e carinho, que muitas vezes transformam a vida de todos ao redor justamente pela sua forma autêntica de amar”, afirma a autora. Segundo Lopes, a obra reforça valores essenciais para a sociedade atual, como empatia, pertencimento, afeto e valorização das raízes culturais.

Docentes do Campus XXIII com suas recém obras literárias no lançamento de livros.Fotos: Gustavo Oliveira 

  O encerramento do segundo dia de programação deu-se com as atrações musicais de forró, com os artistas locais Zete Frazão, Dene Reis e Dinho Almeida. Reunindo a comunidade acadêmica e a externa em uma celebração tradicional e cultural. 

Músicos locais Zete Frazão, Dene Reis e Dinho Almeida.Fotos: Mariele Souza e Gustavo Oliveira

Confira também a matéria do primeiro dia de evento: Forró da UNEB Seabra começa a celebrando a cultura da Chapada Diamantina.

*Alunas do curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora Dayanne Pereira.

Agência Experimental de Jornalismo da Uneb Seabra