Série em áudio sobre o licuri conquista 1º lugar nacional e reafirma a força da comunicação popular da Chapada Diamantina.
Por Lucas Assunção*
A Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus XXIII, celebrou uma conquista histórica na noite de 4 de dezembro, em Brasília. A série de reportagens em áudio “O licuri é delas: trabalho, identidade e sustentabilidade na Chapada Diamantina” venceu o 1º lugar nacional na categoria Jornalismo Universitário do 12º Prêmio Sebrae de Jornalismo, consolidando a força da comunicação produzida no interior baiano e a potência das narrativas que valorizam os saberes tradicionais.
O trabalho foi desenvolvido por Eloísa do Carmo Oliveira, Ana Paula Oliveira e Bores Júnior, com orientação da professora-doutora Juliana Almeida, e publicada no Canal TV UNEB Seabra. A série retrata o papel central das quebradeiras de licuri e das comunidades tradicionais da Chapada Diamantina, revelando o empreendedorismo ancestral que salva vidas, sustenta gerações e preserva modos de existir profundamente ligados ao território.
Uma vitória construída com o território
A série só existe porque nasce das vozes, das mãos e da luta de mulheres que mantêm viva a tradição do licuri. Entre elas, Dona Vera Alves, quebradeira de coco licuri desde a infância, que celebra a visibilidade conquistada. Alves conta que “o nosso licuri reconhecido nos deixa muito feliz e muito certa de que no futuro ele vai ser ainda mais valorizado. Sou catadeira desde menina, e hoje entendo o valor que ele tem graças às pessoas que estão estudando e procurando a gente. É ótimo saber que a nossa cultura está sendo respeitada. Espero que a nova geração continue valorizando e mantendo viva essa tradição.”
Carla Benícia, filha de Dona Vera, reforça o sentimento de reparação e orgulho. “Ter o nosso trabalho e a nossa cultura como objeto de pesquisa universitária nos deixa muito felizes. Esse podcast abre portas para que outras pessoas conheçam nossa realidade e deem visibilidade a quem foi silenciado por preconceito e pela falta de políticas públicas. Estamos confiantes de que, assim como vencemos a etapa estadual, venceremos também a nacional.”










Fotos de Duda Rodrigues e Erivelton Viana.
A série que fortalece identidades
A série retrata outra forma de empreender: o empreendedorismo que salva vidas e sustenta gerações. A produção teve como objetivo dar visibilidade às comunidades que trabalham com o agroextrativismo no território da Chapada Diamantina.
“Essa vitória é compartilhada com o Povo Indígena Tapuia, a comunidade Brejo de João Alves, a comunidade Quilombola de Corcovado e a de Brejo de Abaíra”, ressalta a estudante de Jornalismo da UNEB Seabra e ganhadora do prêmio, Ana Paula Oliveira.
Essa conquista demonstra como a Universidade pública pode contribuir para divulgar ações comunitárias. Para o estudante do curso de Jornalismo da UNEB Seabra e ganhador do prêmio, Bores Júnior, “a premiação fortalece e reconhece o nosso papel na comunicação popular e no jornalismo brasileiro”.
No palco, em Brasília, a estudante do curso de Jornalismo da UNEB Seabra e ganhadora do prêmio, Eloísa do Carmo, emocionou o público ao reconhecer a potência da comunicação feita com o território. “O jornalismo sonoro aproxima o público dos lugares e das pessoas. Essa vitória é coletiva das comunidades tradicionais da Chapada. Hoje, represento o empreendedorismo que salva vidas: o coco licuri sustentou gerações. Agradeço à minha colega, Ana, ao editor Bores, à nossa orientadora Juliana Almeida e à PRAES, que reforça a importância das políticas de permanência estudantil. A UNEB é um espaço de formação e de reparação histórica.”
A conquista reafirma o papel da UNEB como instituição comprometida com identidades, memória, justiça social e inclusão territorial.
O Sebrae Bahia também celebrou a força da comunicação baiana e o talento que emerge da Chapada Diamantina, reconhecendo o impacto de narrativas que inspiram, informam e transformam.
A UNEB, agora ouro nacional, mostra que fazer jornalismo a partir do interior é revelar o Brasil real, profundo e ancestral.
*Aluno curso de Jornalismo da Uneb Seabra. Sob orientação da professora e editora Dayanne Pereira.